o ano da revolução da felicidade PDF Imprimir E-mail

antonio

Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem, não é sentir, é lembrar hoje o que se sentiu ontem.

Fernando Pessoa

 

 

 

 

Alegria, alegria, chegou 2012! Com ele chegam também novas promessas, novas resoluções de vida, novas tentativas de sorrir, de amar, de ser feliz e, sobretudo, novas buscas que nos auxiliam trilhar de maneira renovada a vida que nos espera. Afinal, nós temos a necessidade de delimitar nossos tempos existenciais para podermos estabelecer a própria delimitação de nossas escolhas vitais. O tempo que se refaz é nossa principal ferramenta de sobrevivência, ele é absolutamente humano assim como a vida é simplesmente humana. O tempo, por natureza humana, é uma grande invenção, é uma fantástica ficção que guarda nossas escolhas significativas e, ao mesmo tempo, nos faz escolher novos horizontes.

A natureza é um pouco diferente, ela não precisa do tempo, ela não precisa das significações, ela sequer necessita das escolhas, ela nega o tempo. Ela não tem ano novo, ela não anuncia com fogos um novo ano. E por pensar assim, meu primeiro convidado de 2012 é o poeta Francis Ponge escreve que “a água é louca, por causa dessa histérica necessidade de só obedecer à sua gravidade, que a possui como idéia fixa.” Diz ainda, sobre a inquietude da água que ao menor sinal de mudança de declive ela altera seu fluxo, sua permanência e sua exitência.

Água ou Tempo? Escolhas adquiridas ou escolhas definidas? Sentimentos incorporados ou sentimentos vivenciados? O que desejamos de fato para 2012? Uma histérica necessidade de mudança advinda de situações que são colocadas em nosso viver, como o declive da rocha que é capaz de conduzir um rio ao mar, pelo caminho mais improvável ou desejamos mudanças significativas resultantes de desejos que não cabem nas coisas e nos objetos que adquirimos, mas cabem nos sentimentos que jamais possuiremos por inteiro?

Relembrando uma fala de Saramago, quero desejar em 2012, para todos nós, uma grande revolução. Uma revolução autêntica, eficaz e uníssona. Sonho para 2012 uma grandiosa revolução da Felicidade. O ano de 2012 tem que ser um ano onde possamos, todos, sem nenhuma excessão, nos descobrirmos felizes, amantes incontestes da Felicidade e detentores fiéis de nossos desejos. Se nós, a cada novo dia de 2012, nos descobrirmos felizes, o mundo será outro e nossos problemas estarão muito mais próximos de suas resoluções.

Para além de um grande desejo, de uma utopia, falo aqui de grande desatino, eu sei. Mas a consciência de que isso não acontecerá não nos deve impedir, cada um nós, no mais puro de seu íntimo, de fazer tudo o que pode para reger-se, nas andanças cotidianas do novo ano, por princípios humanos e solidários.

Se desejo é a consciência daquilo que nos falta, ao olharmos para o mundo temos a plena certeza que muitos de nós desejou, nos últimos anos, apenas prazer e não felicidade. Prazer é hoje; prazer é a rocha que conduz a água em seu tempo; o prazer é momento; o prazer não perpetua; o prazer é urgente; o prazer é perfeito; o prazer se consome; prazer demanda apenas um. Não estou condenando o prazer, em absoluto, ele é fundamental para vida, mas não pode ser o seu regente. Felicidade, por sua vez, é cultivo; a felicidade demanda dois; a felicidade nasce de relacionamento; a felicidade impõe limites; a felicidade requer a manutenção da vida do outro; a felicidade necessita de reconhecimento de si pelos outros; a felicidade é processo de vida.

Reafirmo que 2012 seja uma eterna e constante revolução da Felicidade e, como Drummond, “gostaria de te desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente. Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes. E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade!”

 

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